Parte 1

Nossa possibilidade de chegada a residência foi a de esquentar o apê  cafofo como residentes, moradores temporários construindo afetos, preparando o terreno sem segundas e grandes intenções. Sintonia fina conspiratória.
Essa geralmente é nossa estratégia de observadores que somos e que uma experiência como essa oferece. Quem sabe o que vai dar e quando na produção de que produção. Mesmo assim muitas foram as reflexões provocadas pelo shoking de todas as situações, sentados na janela panorâmica do apê para o caos suburbano. ‘O Pobrema Daquievários’.
Cadê a arte? Na televisão! Não, nos pés descalços que pulam cercas invadindo , construindo códigos e escadas de sacos de areia.
O projeto moderno humanista não falhou, isso é o que tem de melhor, vamos colaborar nessa viagem.
O apê 613 foi de Leda, que partiu pro andar de cima à pouco, a energia que paira é boa e logo na primeira noite nos sentimos em casa. Creio que esse é um bom sintoma: na última hora o apê previsto para a residência deu para trás e logo se abriu as portas da moradia de uma guerreira. Esse foi mais um de seus atos. Os vizinhos falam muito da postura de Leda para o diálogo, se envolvendo em muitas questões, algumas delicadas, do conjunto.
O corredor mantém a vida lenta de encontros. A vizinhança é unida como antes e utilizam as estratégias da arquitetura. Logo de manhã começa os sons do movimento de saída, depois os cheiros dos rangos, a sombra da tarde e a noite todos ali para um papo.
As crianças aproveitam para correr no corredor, elas nos receberam bem e quase todas as noites vinham para desenhar e contar histórias. Outro sintoma: que venham as crianças, elas que mais aproveitam o sentido do Comunismo.
Foi boa a oportunidade de realizar a festa de aniversario de 16 anos de minha filha Janaina, estávamos em casa e os amigos circularam entre amigos da mesma realidade carioca brasileira sul americana planetária.
A Cláudia realizou especialmente uma escultura inspirada em uma visita ao pedregulho em 79, ela viu um bidê que se transformou em viveiro para pássaros, um chafariz de banheiro. Então eu levei o bidê que eu tinha sobrando em casa e ela moldou com tela de arame uma forma que subia presa na borda do bidê. O pássaro se abstraia em cabide pendurado no poleiro, moderníssimo! Ninguém mais vai prender pássaro ou qualquer bicho em gaiola. Conclusão: o bidê ficou em exposição no corredor por dois dias porque roubaram o bidê, só o bidê. Dizem que foi para vender as torneiras e comprar crak. Bom, achamos o bidê no lixo sem as torneiras.

Insistimos na proposta de coleta seletiva e produzimos um desenho adesivo que distribuímos a alguns moradores. Queríamos incentivar essa idéia tão atual e atrasada para nossos hábitos. Uma idéia que não se trata de projeto e sim de hábito que pode se encaixar em algum projeto, pessoal ou coletivo. Explico: Você separa o material e dá uma finalidade a sua maneira ou colaborando com alguma outra iniciativa. Você joga o lixo separado no lixo, dá a algum catador independente, leva à um ferro velho, à alguma cooperativa ou organiza-se um projeto especial no local que se mora, etc… Quem ai seleciona seu lixo?  
 
Como mobilizar uma comunidade sem a intimidade?
  
Parte 2
 
Realizamos um encontro no Cantão, local de nossa reunião inicial. Projetamos alguns trabalhos pessoais e fizemos o Cinema Parado. Poucos moradores se interessaram, quem veio se divertiu.
Continuamos com encontros de amigos e jantares, sempre olhando para a janela observatório. Prazer em conhecer Felipe Scovino e conviver uns dias com o Low (Wellington Cançado).
 
Lançamos a idéia de uma biblioteca de arte, pode ser mais uma burocracia, alguém para abrir, fechar, espaço, prateleiras ou podemos encontrar outra saída na seqüência, aceitamos sugestões. 
Pensamos em liberar alguns catálogos que são produzidos e armazenados em algum lugar, criar algum interesse e intimidades.
 
Reflexão 1
Arquitetura Social Gente Monumento
 
N reflexões
Kaza pode ter horta
Luiza vai ter prato cheio na Ceia de Natal e Ano Novo no pedregulho, vou aparecer para o presépio.
Frente, já viram ai a Caros Amigos que tem o Ferrez na capa?  Tem uma matéria sobre os autos de resistência no Rio de Janeiro.
Felipe vai no que te inspira, não precisa perder seu tempo em falar especificamente de nossa participação e conduta.
Low, vamos continuar a parceria.

Jarbas Lopes e Katerina Dimitrov

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