Pedregulho, atualização do projeto moderno

O Pedregulho é um edifício suntuoso construído em um dos morros na zona central e portuária do Rio de Janeiro.  Seu nome de batismo, contudo, é Conjunto Habitacional Prefeito Mendes de Moraes, mas há ainda um terceiro: o prédio é também chamado pelos moradores e habitantes arredores de “Minhocão”, seguramente como referência à edificação principal, um edifício de seis andares em formato curvilíneo, no topo de um morro.

O prédio foi concebido pelo arquiteto modernista Affonso Eduardo Reidy  (1909-1964), construído entre 1947 e 1952, com o apoio de Carmem Portinho, Secretária de Obras no período, e de Prefeito Mendes de Moraes, que dá nome ao conjunto.

O projeto Pedregulho Residência Artística, por sua vez, realiza quatro residências artísticas com promoção de atividades junto à comunidade do Pedregulho acompanhadas de profissionais das áreas de arquitetura, urbanismo, pesquisadores e/ou críticos de arte, história da arte e estética; Grupo de estudos e apresentação pública das equipes; elaboração de uma publicação autoral com registros das vivências no complexo e seus desdobramentos por parte dos artistas; conversas no MAM e a publicação de textos críticos.

A construção do Minhocão tinha como objetivo dar moradia aos funcionários da prefeitura do Estado da Guanabara quando a sede do Governo Federal ainda estava no Rio de Janeiro. O projeto provia escola, lavanderia mecanizada, posto de saúde, mercado e um ginásio com piscina. O complexo foi finalizado anos antes da Capital Federal ser transferida definitivamente para Brasília, onde foi erigido outro marco do período moderno, tornando-se referencial e crítica da arquitetura e do urbanismo hoje.

O que se pretende principalmente com a realização do projeto é elaborar através da criação em artes visuais contemporâneas (em equipes heterogêneas) uma série de questões a partir do Pedregulho como um “patrimônio” averiguando sua herança cultural e histórica, aproveitando para lançar foco para a recuperação simbólica e estrutural deste edifício,  a partir do qual traçamos vetores de problematização de questões culturais, sociais e econômicas, intrínsecas à utopia modernista.

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