Faz muito calor e muita preguiça.

O ventilador toca uma musiquinha que dá sono. Ventinho quente, abafado, de tarde morta. Nem café dá jeito.

Chego na janela para ver a paisagem de longe, mas o sol da tarde castiga.

Dou a volta para a outra vista e o pessoal lá embaixo está queimando cobre.

Mais calor, mais fumaça.

As crianças não sentem nada disso e brincam eufóricas na beira da laje.

Os mais sortudos foram para a piscina de algum parente.

Espero alguém bater na porta, mas me lembro de que já está aberta. É só entrar.

A buzina do padeiro toca alto, a manicure trabalha no corredor.

A cachorra Madona dorme feliz de barriga na cerâmica fria.

O perfume do recém-banhado invade a sala.

Vai chover. As nuvens se aproximam.

O quarto é rosa.

Ao abrir a porta de manhã vejo um corredor iluminado de verde e amarelo, com rasgos de sol pelo chão, pelas portas, pelos livros na estante.

A penumbra matinal é filtrada por cortinas e toalhas, aquecendo os objetos com uma luz fraquinha.

O Snoopy de porcelana recebe um facho especial, quase um holofote.

À noite o vão da escada é lilás, cintilando pequenos quadrinhos na parede.

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